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Boletim económico. 4 riscos e uma ideia controversa
Mário Centeno assume que “a resiliência das empresas” é “um foco de preocupação”. “Nós temos uma capacidade muito significativa de retenção de emprego nas empresas em Portugal, em 2020”, sublinhou o ex-ministro em conferência de imprensa, tendo em conta que o Governo, tal como muitos outros por todo o mundo, deu apoios que sustentaram o mercado de trabalho. E o “comportamento do investimento é muito positivo”.
Mas será que tem condições para durar? “As dúvidas que podem assumir papel de riscos são precisamente focadas na capacidade que as empresas possam ter de manter este comportamento ao longo do período de recuperação”, refere Mário Centeno.
O governador entende que Portugal chegou a este ponto de “resiliência” porque houve convergência económica nos últimos anos com a média europeia. “Portugal cresceu acima da área do Euro entre 2016 e 2019 de forma consecutiva”, sublinhou Centeno, repetindo uma ideia que assinalou várias vezes como ministro das Finanças.
Por outro lado, Mário Centeno atribui ainda essa capacidade ao tecido produtivo. “Nos últimos anos, entre 2016 e 2019, as empresas em Portugal viram a Formação Bruta de Capital Fixo [investimento] crescer muito significativamente” — cerca de 55% neste período, segundo dados do INE citados pelo governador. Além disso, a produtividade também teve um acréscimo, de 10%, “em particular as pequenas e médias empresas”, que viram este indicador crescer 15%; e houve uma redução do endividamento das empresas “muito significativo”, mais uma vez nas PME.
Isto fez, segundo Mário Centeno, “que as empresas desenvolvessem abordagens distintas face à crise”. E um movimento em particular é considerado pelo governador como “muito, muito relevante” — os depósitos aumentaram mais de 9 mil milhões de euros, ou 192%, em cerca de um ano — o triplo face ao ano anterior.
“Nunca antes, na série de depósitos do Banco de Portugal, os depósitos das empresas em Portugal tinham aumentado um número parecido com este”, notou Centeno, que destaca a grande diferença, por exemplo, face às crises anteriores — a que motivou o resgate da Troika e a crise financeira iniciada em 2008.
São fatores que, para o governador do Banco de Portugal, “dão alguma confiança”. Mas Mário Centeno insiste que é preciso ter atenção aos “desafios, que são muitos, da economia portuguesa no futuro”.








