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Angola e Zâmbia mostram caminhos diferentes e difíceis sobre alívio da dívida – Observador
A consultora Capital Economics considera que a abordagem de Angola e da Zâmbia relativamente ao nível de dívida pública é diferente mas essa “viagem será sempre acidentada”.
“As movimentações dos últimos dias para colocar os elevados fardos da dívida de Angola e da Zâmbia num caminho sustentável dá algumas lições ao resto da região e aos detentores de dívida privada, mas em resumo o ponto é que há vários caminhos rumo ao alívio da dívida, mas a viagem será sempre acidentada”, escreveram os analistas da Capital Economics.Numa nota com o título ‘Alívio da dívida privada: em caminhos diferentes’, os analistas usam o caso de Angola, que beneficiou de um aumento da assistência financeira do Fundo Monetário Internacional e garantiu que iria honrar os compromissos financeiros, por muito altos que os juros estejam, e o da Zâmbia, que já começou a negociar com os credores privados uma reestruturação da dívida que já implicou descidas do ‘rating’.“Há duas implicações cruciais sobre as experiências de Angola e da Zâmbia relativamente ao alívio da dívida; a primeira, talvez óbvia, é que a composição da dívida é muito importante face ao tipo de reestruturação pretendida”, lê-se na nota.“A maioria dos pagamentos de Angola será feita a credores bilaterais, principalmente à China, enquanto a maior parte das economias da região, com exceção de Moçambique e da Costa do Marfim, têm mais dívidas a credores privados do que a financiadores bilaterais ou multilaterais”, salientam os analistas.O segundo ponto, acrescentam, é que “garantir um alívio da dívida é uma tarefa árdua, e pode obrigar a grandes concessões por parte dos governos aos investidores, e essa foi a lição aprendida nas recentes reestruturações da Argentina e do Equador”, concluem os analistas.
A ministra das Finanças de Angola disse recentemente que os juros “absurdamente elevados” impedem o país de ir aos mercados para garantir financiamento, mas assegurou que as prestações das emissões de dívida pública serão pagas e que não tenciona reestruturar esta dívida comprada pelos credores privados.Pelo contrário, a Zâmbia pediu aos credores privados para aceitarem o adiamento do pagamento de 120 milhões de dólares (cerca de 102 milhões de euros) devidos até abril do próximo ano para poder canalizar as verbas para o combate à pandemia de covid-19.Os credores responderam que não era possível aceitar o pedido argumentando que falta informação, e na sexta-feira começaram as negociações, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, que cita duas fontes não identificadas conhecedoras do processo.O ministro das Finanças da Zâmbia garantiu que mesmo que não haja acordo com os credores, há uma verba reservada para os pagamentos, o que impede a entrada do país em ‘default’, mas isso não impediu as agências de ‘rating’ de descerem a opinião sobre a qualidade do crédito soberano do país, tornando muito mais difícil e caro o regresso da Zâmbia aos mercados financeiros internacionais.








