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A última jogada desesperada da Dielmar para obter apoios das linhas Covid — que estava impedida de ter
No comunicado a anunciar este pedido de insolvência, a empresa revela que os últimos 16 meses foram “longos e duros” e que fez “um esforço imenso e solitário” para conseguir sobreviver e manter os postos de trabalho, mas que “sucumbiu à pandemia de Covid-19, contaminada com um conjunto de situações que foram letais”.
A presidente da empresa de Castelo Branco, Ana Paula Rafael, criticou ainda as dificuldades que as empresas enfrentam no interior do país: “Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com carácter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região”. Garantiu ainda que, apesar do pedido de insolvência, não deixou de pagar os salários dos trabalhadores.
Do lado do Governo, também houve resposta ao anúncio do pedido de insolvência. O Ministério da Economia diz que teve conhecimento desta informação “pela comunicação social”. Mas tal como demonstra a carta de abril cujo teor o Observador divulga, tanto o Banco de Fomento como a PME Investimentos – ambas tuteladas por Siza Vieira – sabiam há 3 meses que a Dielmar se aprestava para entregar o pedido em tribunal.
Em comunicado, a tutela sublinhou que a empresa “debate-se, há vários anos, com graves problemas financeiros, apresentando muitas dificuldades a nível comercial e registando quebras significativas do seu volume de vendas” e que a situação de dificuldades “é anterior à crise provocada pela pandemia da doença Covid-19, tendo-se prolongado pelos últimos 10 anos”, uma situação que obrigou, neste período, várias entidades públicas a injetarem aproximadamente 5 milhões de euros na empresa e a garantirem mais de 3 milhões de dívida.
Pelo caminho, a tutela diz que as diferentes soluções procuradas para resolver o problema não surtiram o efeito desejado. “Com esta gestão não foi possível assegurar a salvação da empresa“, criticou Siza Vieira em entrevista à RTP, dizendo ter acordado “sucessivamente” com a administração “a possibilidade de serem alienados determinados ativos ou de ser assegurada uma gestão mais profissional”, mas que “isso não foi possível”.








