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A eletricidade está cada vez mais verde e também mais cara. É inevitável? Nove respostas
Cinco dias, cinco máximos. A semana que passou foi marcada por sucessivos recordes do preço diário da eletricidade no mercado ibérico. O esperado aumento do consumo com a anunciada onda de calor trouxe as cotações para cima, mas a pressão para uma subida tem-se feito sentir há vários meses e provocou já aumentos dos preços da eletricidade para os consumidores finais que não devem ficar por aqui. Portugal já baixou o IVA da luz para os escalões mais baixos de consumo, mas a poupança permitida pela medida já terá sido neutralizada pelo aumento dos preços.Novas ofertas de eletricidade já subiram preços face a janeiroA escalada acontece ao mesmo tempo que cresce a potência renovável no sistema elétrico. A energia verde entra no mercado a um preço inferior porque produz a partir de recursos naturais quando estes estão disponíveis e não implica gastar em combustíveis. Especialistas e políticos têm garantido que, por isso, contribui para reduzir a fatura energética. Mas as renováveis não chegam e é preciso também recorrer às centrais térmicas, que estão cada vez mais caras por causa das licenças de CO2 e do preço do gás natural. E a regra marginalista de funcionamento do mercado elétrico determina que é a última tecnologia a entrar, que é também mais cara, a fixar o preço de toda a energia vendida num determinado período.De acordo com o boletim de julho da APREN (Associação das Energias Renováveis), Portugal teve até julho 70% do consumo abastecido por energia renovável, o que faz do país o quarto com maior incorporação de eletricidade produzida a partir da água, vento e sol na Europa, ultrapassado apenas por Áustria, Dinamarca e Noruega. No entanto, foi também o terceiro país a registar o preço médio mais caro.Evolução do preço diário da eletricidade na bolsa ibérica. Unidade: Euros por MW (megawatt) hora. Fonte: OMIE
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A principal justificação avançada para esta aparente contradição está no agravamento dos custos do CO2 diretamente associado a metas políticas mais ambiciosas para limpar o setor energético. Esta é apenas uma parte da resposta, como explica o presidente da Endesa Portugal. Em conversa com o Observador, Nuno Ribeiro da Silva, destaca que a fatura do CO2 veio para ficar e avisa que enquanto o sistema elétrico precisar do gás natural para equilibrar a procura, o custo mais elevado destas centrais vai fixar o preço de toda a energia transacionada naquele período.Mas se os governos não podem deixar de promover a transição energética, há coisas a fazer para aliviar a carga dos “impostos, taxas, taxinhas e alcavalas” que carregam a fatura da energia, um setor que a Europa se habituou a ver como “uma manada de vacas leiteiras” para os cofres públicos. Estas e mais explicações em nove perguntas sobre o que está a acontecer à eletricidade no caminho para a transição energética.Se a energia renovável não entrasse no sistema elétrico, teríamos de “ir buscar centrais a gás ainda mais caras do que a última que fecha o preço”, refere o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva. O gestor sublinha que é esta tecnologia, a mais cara, que acaba por fixar o preço final da eletricidade, porque o mercado elétrico funciona de forma marginalista.Se é verdade que as renováveis e o nuclear entram no mercado a preços mais baixos, isso acaba por não se refletir no consumidor. Porque o preço final de toda a eletricidade transacionada é fixado pela tecnologia mais cara — o gás natural — que entra no fim de todas as outras ofertas. Quem ganha são os produtores que produzem mais barato e que acabam por ficar com a margem que corresponde ao preço mais caro.
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